Na sequência do webinar da semana passada, em que analisámos os erros mais comuns que as PME cometem em matéria de cibersegurança, vamos começar uma série de conteúdos práticos que o vão ajudar a proteger a sua empresa e evitar um desastre.
👉 Se não assistiu, pode ver a gravação completa aqui: Clique aqui para ver o webinar
Ao longo das próximas semanas vamos apresentar 7 passos essenciais para começar a construir uma base sólida de segurança na sua empresa, sem grandes investimentos nem conhecimentos técnicos. Hoje começamos pelo Passo 1: Criar a sua Política de Segurança da Informação, a pedra angular de qualquer estratégia de cibersegurança.
Porque é a pedra angular de qualquer estratégia de proteção. Sem ela, qualquer tentativa de proteger o seu negócio será como construir uma casa sem plantas: desorganizada, cara e frágil.
Uma política de segurança da informação define o rumo, estabelece prioridades e alinha toda a equipa em torno do mais importante: proteger aquilo que faz a sua empresa funcionar.
Não se trata apenas de redigir regras gerais como "não partilhar palavras-passe" ou "usar antivírus". Antes de escrever qualquer coisa, tem de refletir sobre o que realmente importa no seu negócio. E isso começa com uma única pergunta:
Um ativo de informação é qualquer dado, documento ou sistema que tenha valor para a sua empresa.
Não pense apenas em tecnologia. Pense no seu negócio:
-
O que aconteceria se perdesse todos os seus contratos ou bases de dados de clientes?
-
Ou se um terceiro tivesse acesso aos seus preços, estratégias ou orçamentos?
-
E se um colaborador descarregasse malware por engano e todo o seu servidor ficasse cifrado?
-
E se alguém publicasse informação sensível dos seus clientes e enfrentasse uma sanção de proteção de dados?
É essa a informação que precisa de proteger. Porque, se for comprometida, o seu negócio pode parar, perder clientes ou até enfrentar coimas incomportáveis.
Antes de escrever a sua política, dedique alguns minutos a pensar (ou a desenhar numa folha) os fluxos de informação da sua empresa. Deixamos-lhe algumas perguntas para ajudar:
-
Que tipo de informação a minha empresa trata? (clientes, colaboradores, fornecedores, finanças, projetos…)
-
Onde é guardada essa informação? (em papel, em computadores, na cloud, no WhatsApp…)
-
Como é criada essa informação? (formulários, emails, chamadas, ferramentas)
-
Como é partilhada? (email, pen USB, plataformas, capturas de ecrã)
-
Quem tem acesso a ela? (toda a equipa, só algumas pessoas, externos)
-
Como é eliminada quando deixa de ser útil? (é apagada? arquivada? impressa e deitada fora?)
Responder a estas perguntas vai ajudá-lo a perceber o que precisa de proteger e como, e a redigir uma política que faça sentido para a sua realidade.
É um documento formal, claro e breve que define como a sua empresa protege a sua informação. Serve para deixar por escrito as regras básicas que todos devem seguir para evitar erros, acessos não autorizados, perdas de informação ou incumprimentos legais.
Não é preciso um documento longo nem técnico. Eis uma estrutura simples:
Explique para que existe: proteger a informação sensível do negócio, dos clientes e dos colaboradores.
A quem se aplica? (colaboradores, fornecedores, parceiros, etc.)
Exemplos:
-
Usar palavras-passe seguras e não as partilhar.
-
Não instalar programas não autorizados.
-
Ter cuidado com o uso de dispositivos pessoais no trabalho.
-
Reportar incidentes ou emails suspeitos.
-
Quem revê e atualiza a política?
-
Quem gere os incidentes?
-
Quem deve ser informado em caso de problema?
-
Que consequências existem se as regras forem incumpridas.
-
Como se garante que todos a conhecem (formações, comunicados, etc.).
- Com que frequência a política será revista (pelo menos uma vez por ano, ou após um incidente importante).
Todas as pessoas que trabalham consigo. A segurança não é apenas assunto da equipa técnica. A maioria dos incidentes acontece por erro humano: cliques em links falsos, palavras-passe fracas, documentos partilhados sem cuidado…
Uma política bem explicada sensibiliza a equipa e cria uma cultura de segurança desde o início.
Reserve 30 minutos esta semana para pensar nos fluxos de informação da sua empresa. Identifique que dados são essenciais, onde estão, quem os usa e como circulam. Depois, redija uma política simples, clara e adaptada à sua realidade. Não importa se não for perfeita: o importante é começar. Com o tempo poderá revê-la, melhorá-la e adaptá-la.
Não há proteção sem rumo. A política de segurança é a sua bússola. Sem ela, tudo o resto (ferramentas, serviços, controlos) será um gasto sem sentido. Com ela, cada passo que der estará alinhado com aquilo que realmente quer proteger.